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Aqui estão os destaques desta edição. >> Matérias - A dança de salão em festivais de todos os tamanhos para todos os gostos; Louise Lecavalier no Brasil e a volta da Quasar com "só tinha que ser com você". >> Colunistas - Caminada se despede de Halina Biernacka e Marília Franco: Leonel Brum e a demanda de mercado; Valério Césio conta o que foi a temporada 2005 do American Ballet Theatre.
Edição 71 - Mar e Abr de 2006
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O Brasil já era moda antes de ter seu ano na França. As cores verde e amarelo, as sandálias havaianas, a caipirinha, enfim, o nosso jeitinho conquistou a Europa, os japoneses cada vez mais vêm se inspirar em nossa arte, os australianos estão dançando muita lambada...
É, e finalmente, depois de repassar pela França parece que a moda vai chegar aqui - os jornais já noticiam a tendência para as cores da bandeira nas novas coleções. Aleluia! Carlinhos de Jesus, que sempre tratou a defesa das tradições cariocas e nacionais como parte de seu trabalho pode ser considerado um pilar para o movimento que vislumbramos. Não queremos aqui dizer que em todo o universo de dançarinos de salão não houvesse mais que um preocupado em valorizar nossa cultura, mas sim que não havia um movimento organizado para fazê-lo, como ainda não há. No entanto, as condições favoráveis podem apontar para que se desperte o orgulho de ser e pertencer em nossos corações combalidos pela falta histórica de auto-estima que caracteriza o país.
No início do ano, aconteceu no Rio de Janeiro o Congresso Internacional de Danças Brasileiras – a programação privilegiava o samba, forró e lambada (que são nossas danças de salão mais representativas). De lá para cá notamos que as divulgações dos bailes e aulas têm mudado. O que antes era ritmos quentes, vem agora anunciado como danças brasileiras, onde antes lia-se apenas zouk lê-se agora lambada-zouk. O Congresso Mundial de Samba, organizado por Fábio Venturini e Produtora Elos veio conclamar os cariocas, como naturais do berço do samba e os outros brasileiros a defenderem esta que é uma das mais fortes manifestações de nossa identidade e que no entanto, quando se dança em par é desconhecida até dos jovens fluminenses.
Em novembro terá lugar na Holanda um congresso que pega carona no momento e usa o mesmo nome: Congresso Internacional de Danças Brasileiras – no programa, os mesmos ritmos, a não ser por alguns professores que ainda presos ao entreguismo usam unicamente o nome zouk por acreditar que seja mais vendável.
Hão de nos perguntar, será que estamos nos precipitando ao dizer que já podemos ver um movimento forte em defesa de nossa identidade? Não seria muito otimismo identificar fatos isolados e ainda por cima baseados num modismo como sinal de mudança contra um sentimento tão arraigado?
Mas quem negaria que a moda da lambada dos anos 80/90 foi uma das grandes responsáveis pela revitalização que vive hoje a nossa dança? Não desprezamos o poder desta nova onda como estopim, e vemos ainda outros fatores decisivos: 1º a quantidade de escolas atuantes em vários estados, 2º a disposição para a organização como classe em todo país, que se vê a partir da instituição da associação nacional – Andanças, 3o o sucesso de formações que vão além da técnica específica, como a pós-graduação da FAMEC ou o Curso de Extensão em Dança de Salão que acontece no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro – que vêm demonstrar o engajamento dos jovens em relação a nossa arte como uma área ampla do conhecimento e 4o a realização de grandes eventos, destes selecionamos alguns para falar um pouco mais e perguntamos ao leitor se ele lembra de ter visto tantas produções num mesmo ano em nosso setor?
Já citei o Congresso Mundial de Samba e o Congresso Internacional de Danças Brasileiras, tivemos também o Toda Salsa Carioca, O Samba e o Salão e o Baile da União que reuniu cerca de 3.000 pessoas em São Paulo. Ainda este ano teremos: o Baila Rio que investe cada vez mais em sua Mostra de Dança, o Concurso de Duplas, novos Bailes na Confeitaria Colombo e o Encontro Gaúcho de Dança de Salão. Em nossa página na Internet, publicamos mais informações e imagens, aqui, relatamos o essencial:
O Baila Rio apresenta no salão nobre do Sírio e Libanês, dia 28/10, além da consagrada Banda Brasil Show, companhias convidadas de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais (www.bailario.com); os bailes na Confeitaria Colombo, promovidos por Neuza Abbes, sempre com os ingressos esgotados com antecedência e boa repercussão na mídia, tornaram-se importante instrumento de divulgação da dança de salão, além de excelente programação com qualidade e um toque extra de glamour ((21) 2539 9850 ou 9303 6161). Os próximos acontecem dia 16 de setembro e 03 de outubro. E por fim, o Encontro Gaúcho de Dança de Salão, além de oficinas, bailes e shows oferece palestra e debate sobre as associações, no período de 28 a 30 de outubro (www.centrodedancas.com.br).

Luís Florião é professor de dança de salão

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