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Aqui estão os destaques desta edição. >> Coluna Visual - Lançamento do projeto das Câmaras Setoriais. >> Matérias - Momix e Débora Colker no Rio. >> Vera Aragão - Jovens Bailarinos Grandes Talentos.
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Coluna Vera Aragão

Jovens Bailarinos Grandes Talentos


Histórias de crianças prodígio sempre atraíram a atenção, desde o sempre citado caso de Chopin, que tocava piano aos seis anos de idade.
Jovens estudantes e profissionais do ballet brasileiro, cada vez mais integram escolas do exterior como bolsistas, ou ocupam postos como profissionais, em companhias de todo o mundo. Mas, há um longo caminho a percorrer; muitos se perdem pela estrada, tropeçam nos obstáculos difíceis de transpor; uns não agüentam a pressão, as cobranças; outros perdem-se na própria maturidade. A criança talentosa, como qualquer outra, precisa de apoio, investimento, incentivo e ensino de qualidade.
Recentemente, a convite de sua diretora, Mariza Estrella, tive a oportunidade de assistir, no Centro de Dança Rio – escola que se destaca como celeiro de jovens talentos – três meninas e um jovem rapaz, que se preparavam para disputar o Youth American Grand Prix, em Nova Iorque, concurso que revela jovens bailarinos de até 19 anos de idade. Mariza apresentou as crianças com frisson de adolescente, próprio de quem ama o ofício e não perde as esperanças – mesmo quando a companhia que dirige, a “Companhia Jovem El Paso de Dança”, recebe a inconseqüente e injusta pecha de “mico do ano” – como se tratasse de um grupinho de dois ou três pseudobailarinos, que se juntam para caminhar pelo palco... Mas isso é uma outra história.
O concurso em questão divide-se em 3 categorias: pré-competitiva (de 9 a 11 anos), Junior (de 12 a 14) e sênior (de 15 a 19). Do resultado costumam sair indicações para bolsas de estudos e até estágios em grandes companhias, como em 2003, quando Flávia Carlos, do Lyceu Escola de Dança, foi contemplada com medalha de prata e direito à audição para o American Ballet Theatre, assim como Marcella de Paiva, do mesmo estúdio, também prata na categoria pré-competitiva.
É óbvio que, às crianças na faixa dos 9 aos 14 anos, falta a maturidade necessária para sustentar peças de competência de primeiros-bailarinos ou solistas. Não que falte a esses jovens, especificamente, mas a qualquer criança, de qualquer lugar do mundo. Creio que isto se constitui num impasse para os concursos: mostrar as crianças naquilo que elas ainda não podem interpretar ou mostrá-las em coreografias livres, mas muitas vezes de gosto e valor coreográfico bastante discutível? Talvez o modelo misto, como o do festival americano, seja o ideal, pois torna possível um desconto às duas situações, já que as crianças apresentam variações clássicas de repertório e uma livre, contemporânea ou neoclássica.
Por ser a mais jovem, tomo como exemplo Amanda Assucena, 10 anos: preferi vê-la interpretando “A pequena notável”, coreografada por Mariza Estrella em homenagem a Zequinha de Abreu. Coreografia adequada à idade de Amanda, dando-lhe chance de mostrar seus excelentes dotes, mas poupando-a do virtuosismo exacerbado, dos feitos atléticos constantemente perseguidos por quem se esquece que dança é arte e não ginástica – e técnica é um meio, não um fim.
Além de Amanda, o Centro de Dança Rio levou ainda: Carolina Machado (13), Carolina Neves (13) e Irlan Santos (14). As meninas têm físicos ideais e técnica apurada; a primeira mostrou serenidade e aplomb interpretando Aurora, enquanto a segunda, dominou com agilidade e graciosidade a variação de O Pássaro Azul. Mas, não apenas por sua trajetória de vida, destaco a apresentação de Irlan. Nascido e criado no Complexo do Alemão teve um começo difícil, sofreu com o preconceito. Mas diz ter conseguido se fazer respeitar e hoje, conta com orgulho, que seu pai assiste às suas apresentações e o aplaude; dos colegas só recebe elogios. Irlan segue a rotina de um jovem de sua idade: vai à escola, gosta de cinema, esportes, festas. O rapaz tem excelentes qualidades físicas, ótimo apuro técnico, é extremamente musical e exibe um temperamento latino bastante forte. Promete.
Jorge Texeira, diretor do Lyceu, pioneiro neste concurso em 2003; este ano levou novamente Flavia Carlos, Marcella de Paiva e mais: Luiza Bertho, Pedro Cassiano, Carlos Eduardo da Silva e Ricardo Santos. Deles já vi dançando, apenas Flávia e Marcella: são simplesmente lindas! Mas conheço Jorge, sei da qualidade de seu trabalho, sua persistência e perfeccionismo. Tenho certeza do alto nível de todos. E, tanto ele quanto Mariza estão de parabéns, merecem nossos aplausos – assim como a competente mestra da academia Rio, Maria Angélica Fiorani, professora e ensaiadora, incansável na exigência de cada detalhe, naquilo que sabemos, faz a diferença.
Esses jovens têm trabalho de qualidade. Nesse nosso país de “severinos” eles são uma esperança: a fé no reconhecimento pelo trabalho, dedicação, seriedade. Serem laureados não é o mais importante. A necessidade de mostrar resultado não é própria da idade deles, é preocupação de adulto. A eles cabe sonhar com o palco iluminado, vestir-se de dourado e não deixar nunca, perdidas, as ilusões.

Vera Aragão é bailarina aposentada do Theatro Municipal do RJ,
formada pela escola Maria Olenewa, integrante do primeiro elenco da Companhia Brasileira de Ballet, pedagoga, mestranda da UNIRIO, professora de ballet e prática de ensino do curso de licenciatura em dança da UniverCidade, RJ



O Youth America Grand Prix, concurso realizado em abril na cidade de Nova Iorque reuniu 425 bailarinos de vários países: Alemanha, Austrália, China, Coréia, Cuba, EUA, Itália, Japão, México, Panamá, Paraguai, Turquia etc. Representando o Brasil, alunos do Centro de Dança Rio, Dançarte, Gustav Ritter, Lyceu, Pavilhão D e Teatro Guaíra.
Amanda Assucena trouxe-nos a medalha de prata na Categoria Pré Competitive (9 a 11 anos) que teve 60 concorrentes. Irlan dos Santos Silva, levou o ouro na Categoria Junior onde competiam 116 jovens tendo entre 12 e 14 anos. Flávia Carlos obteve a medalha de prata na categoria Senior Feminino (15 a 19 anos). Alunos do Pavilhão D e Escola do Teatro Guaíra ganharam para nosso país mais duas medalhas de bronze. Irlan dos Santos foi um dos 12 escolhidos para participar da Gala junto a grandes estrelas como Roberta Marques e David Mikhateli do Royal Ballet, Jose Manoel Carrero do American Ballet Theatre, Bridget Breiner do Stuttgard Ballet, Cynthia Quinn do Momix e Asley Bouder do New York City Ballet. Irlan recebeu ainda, cinco Bolsas de Estudo para: Alvin Ailey, São Francisco Ballet School, Briansky Saratoga Ballet, Harid Conservatory e Stuttgart Ballet School.
Entre os vinte jurados, destacavam-se nomes como Gallene Stock do Australian Ballet School, Tadeusz Mataiz do Stuttgart Ballet, Arlene Minkhorst do Canada School Ballet e Gloria Govrin do São Francisco Ballet School.

Informações obtidas com a contribuição de Mariza Estrella

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