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Aqui estão os destaques desta edição. >> Coluna Visual - Lançamento do projeto das Câmaras Setoriais. >> Matérias - Momix e Débora Colker no Rio. >> Vera Aragão - Jovens Bailarinos Grandes Talentos.
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Coluna Leonel Brum

“Made in Brasil”


Depois da “carta aberta” do Dança Brasil (www.dancab.com.br) publicada na minha última coluna, retorno com notícias atualizadas sobre a recente atuação de artistas brasileiros nos festivais Move Berlim (www.moveberlim.de), na Alemanha, e Springdance (www.spingdance.nl), na Holanda.



"O Bagaço" da Cia de Dança Balé de Rua (Uberlândia).
Berlim foi invadida pela arte brasileira! A segunda edição do festival Move Berlim, realizada entre 8 e 17 de abril, mostrou através de várias atividades o quanto a nossa dança pode ser plural. O evento apresentou seis espetáculos: O samba do crioulo doido, de Luiz de Abreu (SP); wagner ribot pina miranda xavier le schwartz transobjeto, de Wagner Schwartz (MG); Falam as partes do todo?, da Cia de Danca Dani Lima (RJ); Verissimilitude, do Zikzira Teatro Físico (MG); O Bagaço, do Balé de Rua de Uberlândia (MG); e Skinnerbox, do Grupo Cena 11 (SC). Promoveu diversas oficinas com os artistas que se apresentaram nos palcos e debates com pensadores especialmente convidados para a ocasião, como: Sonia Sobral (SP); Eliana Pedroso (BA); Ernesto Gadelha (CE); Christine Greiner (SP); Maíra Spanghero (SP); Valéria Vicente (PE); Dulce Aquino (BA); Susi Martinelli (DF); Inaicyra Falcão (BA); e Rosa Primo (CE).
Este ano o Move Berlim inovou ao incluir em seu programa a exibição dos vídeos brasileiros que fazem parte do Painel Brasil. Dedicada aos profissionais e ao público da dança e do audiovisual, essa mostra tem como objetivo lançar reflexões sobre o cruzamento das linguagens do vídeo, do cinema e da dança ao mesmo tempo em que divulga as mais recentes produções brasileiras de vídeo-dança.
Trata-se de uma palestra minha acompanhada da seleção de parte do acervo exibido nas duas últimas edições do Dança Brasil. A programação conta com títulos de vários Estados, entre eles: Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Ceará; e já foi exibida em diversos festivais no Brasil e no Exterior.
O Painel Brasil foi apresentado nos dias 10 e 14 de abril para uma audiência entusiasmada com a produção dos vídeos brasileiros. Composta em grande parte por profissionais do audiovisual, a platéia fez muitas perguntas depois das exibições das obras. Devido à grande repercussão dos nossos vídeos, o Painel Brasil volta a Berlim no segundo semestre deste ano. O convite partiu do diretor do Halle Dance Theatre, que irá abrigar uma mostra ampliada, composta de aproximadamente 20 títulos brasileiros.

H2-2005, coreografia de Bruno Beltrão apresentada no Springdance Festival.
O mesmo interesse dos espectadores alemães se fez presente nas duas exibições do filme As Cinzas de Deus, o primeiro longa metragem brasileiro de dança exibido em circuito comercial de cinema do Brasil. Trata-se de uma produção do grupo mineiro Zikzira Teatro Físico, que também mostrou o espetáculo Verissimilitude no palco do festival.
Enquanto Berlim celebrava o Brasil através de suas danças e seus vídeos, não muito longe dali, outros brasileiros subiam ao palco do Springdance Festival, realizado entre 14 e 24 de abril, na cidade de Utrecht. Refiro-me a Bruno Beltrão, diretor do Grupo de Rua de Niterói (RJ), que abriu a programação oficial do evento com o espetáculo H2-2005 e ao bailarino e coreógrafo Cristian Duarte (SP), que apresentou Basic Dance, uma parceria com a bailarina espanhola Paz Rojo.
Essa bienal holandesa, cuja programação já se tornou referência de vanguarda da dança contemporânea européia, apresentou uma intensa agenda de espetáculos e debates, entre outros, os de artistas conhecidos do público carioca, como: Rachid Ouramdane, Thomas Lehmen, Boris Charmatz, Xavier Le Roy, Jérôme Bel e Hooman Sharif.
Destacaram-se na programação instalações que apresentaram propostas distintas e inusitadas de relação com o público, seja pela necessidade do espectador mergulhar numa piscina (Immersion), dançar sozinho numa cabine escura (Remote Dancing), entrar num ônibus (BusPunk), dançar com crianças (Oogly Boogly), chamar ao telefone (Invisible Dance) ou simplesmente enviar mensagens pela internet (Public Proposals). Tudo em nome de pensamentos e ações de danças, algumas vezes visíveis, outras não.
Toda essa participação brasileira no exterior nos leva a refletir sobre a necessidade de fortalecer as ações propositivas das Câmaras Setoriais que estão sendo desenvolvidas pela FUNARTE, no sentido de intensificar a circulação da produção brasileira pelos festivais internacionais e mostrar lá fora a grande diversidade e originalidade da dança que mora em nosso país.

Leonel Brum (leobrum@terra.com.br)
Pesquisador e Diretor Artístico do Dança Brasil
e Dança em Foco e um dos fundadores do
Circuito Vídeo-dança Mercosul.

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