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MENSAGEM PELO DIA INTERNACIONAL DA DANÇA
– 2005
Queridos amigos da dança,
Desde a Presidência do Conselho Brasileiro da Dança – CBDD e ao longo de minha vida na dança tenho tido grandes paixões, mas dentre elas duas foram predominantes: formar bailarinos, ver a flor do talento desabrochar até brilhar no palco, e fazer amigos na dança, assistir a tudo, respeitar a todos, reconhecer a diversidade.
Ambas as paixões se fortaleceram durante o passar dos anos, ganharam maturidade definitiva e caráter de missão e se transformaram em minhas armas e minhas obsessões.
Nada tem me dado felicidade maior que ver o CBDD crescer em abrangência nacional e em áreas de ação durante estes anos, num processo de construção coletiva desenvolvido junto com tantos excelentes companheiros que abraçaram estes ideais e estas formas de entender a Dança e a vida.
O Dia Internacional da Dança, data criada em 1982 quando o CBDD ocupava a Vice-presidência para América Latina e o Caribe do CID (Conseil International da Danse) da UNESCO, é uma oportunidade única para mostrar o que somos, o que significamos na conjuntura atual da dança em nosso país e como cumprimos os nossos objetivos estatutários.
Este Dia Internacional de Dança em 2005 significa para o CBDD o êxito de um espírito de mobilização da categoria com o qual sonhamos e pelo qual lutamos durante muito tempo, feito de tolerância, respeito pela diversidade, democracia, em suma: confiança no talento e amizade por milhares de pessoas que fazem e estudam a dança no Brasil.
Para muitos, erroneamente, o CBDD tem sido unicamente um organizador de festivais, dito algumas vezes com tom pejorativo. Certamente uma das nossas linhas de trabalho tem sido essa. Foi uma tradição desde a nossa fundação em 1979. O primeiro Festival Nacional de Dança do CBDD foi em outubro de 1980. Mas, ainda hoje persiste o problema que levou ao surgimento dos festivais: a falta de palcos para que os que queiram se dedicar à dança e por isso o CBDD defende a necessidade de existência dos festivais, como encontro auto-sustentável de artistas, mas condena o mercantilismo.
Nosso Festival Nacional, sobretudo desde 1997 modificou seu perfil, contemplando todos os tipos de dança e transformou-se num exemplo. O CBDD organiza um Festival paradigmático, sem visar o lucro, como era de esperar de uma entidade representante oficial de um órgão da UNESCO, cujos ideais são a paz e a tolerância.
Porém, também ampliamos nosso foco de ação em cumprimento de outros objetivos que estão em nosso Estatuto.
Assim, estimulamos a comemoração do Dia Internacional da Dança, em 29 de abril, como uma efeméride plural, defensora da dignidade mais que merecida de uma arte cuja importância temos visto crescer no Brasil como nenhuma outra nas últimas décadas.
Temos sido pioneiros na comemoração deste Dia nos 15 estados onde temos delegados. Temos conseguido bolsas e estágios em instituições internacionais, Temos participado em Reuniões e Fóruns representando o Brasil, temos enviado bailarinos a importantes concursos com resultados inéditos como as Medalhas de Prata em ballet clássico para Thiago Soares em 1998 e em dança contemporânea para um duo do Rio Grande do Sul em 2000, ambos no conceituado concurso Internacional de Dança de Paris.
Participamos junto à Associação Dança Alegre Alegrete na concepção do CONDANÇA; junto à Associação de Ballet do Rio de Janeiro na fundação do Ballet Jovem do Rio de Janeiro; junto à Universidade do Estado do Rio de Janeiro organizamos as Galas UERJ de Dança.
Nossos delegados têm também uma crescente atuação nos seus Estados e Regiões, organizando eventos e coordenando ações conjuntamente com outras instituições, algumas delas exemplares para todo o Brasil como a fundação da Comissão Permanente de Dança do Rio Grande do Sul.
Através da Medalha do Mérito Artístico da Dança, comenda reconhecida pelo CID, temos homenageado figuras nacionais e internacionais.
Mais recentemente, a atividade do nosso representante na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, o vice-presidente Dino Carrera, modificou a interlocução com a Dança por parte do Governo Federal defendendo políticas públicas específicas para nosso setor.
Participamos e ajudamos a articular o movimento nacional para banir as ações ilegais do Conselho Federal de Educação Física na sua intenção de fiscalizar a dança e hoje estamos envolvidos na mobilização que acompanha o processo de aprovação do Projeto de Lei Nº 7370, que pode resolver em princípio o problema. Por outra parte, temos participado ativamente na formação da Câmara Setorial de Dança, que inovará na interlocução democrática entre a dança e o Governo Federal.
Eis algumas das nossas ações que nos qualificam neste momento histórico da dança em nosso país. Eis a nossa cara, a nossa mão estendida neste momento de união, de diálogo de amigos que lutam juntos pelo futuro de uma arte à qual temos entregue nossa vida e onde não tem lugar para salto alto, discriminações, medos ou desconfianças.
Nesta oportunidade ímpar, vai nosso abraço fraternal para os amigos da dança em todo o país e nossa felicitação aos Delegados dos estados e regiões, pela sua perseverança e pela sua contribuição ao trabalho do CBDD em prol da dança.
Mariza Estrella
Presidente
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