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O Royal Danish Ballet realizou uma curta e exitosa turnê pelo sul do Brasil na primeira quinzena de julho, incluindo Porto Alegre, São Paulo e Florianópolis.
Num programa de pequeno formato e com apenas 20 bailarinos, a tradicional companhia dinamarquesa tentou mostrar uma gama bastante extensa de estilos, desafio complexo até para uma grande companhia.
O programa abriu com o “Apollo” de Balanchine, obra que embora seja de 1928 passou por reiterados ajustes do coreógrafo até chegar a sua forma final atual. A versão dinamarquesa do célebre quarteto de Apolo e suas musas, teve na interpretação do papel título um mérito fundamental. Nikolaj Hübbe, apesar de formado na tradicional escola dinamarquesa se transformou nos anos 90 num intérprete balanchineano de alta qualidade e como primeiro bailarino do New York City Ballet teve oportunidade de conviver com numerosas obras do coreógrafo russo-americano. Sua compreensão profunda do estilo que está interpretando é um atributo essencial nesta versão: Hübbe é fluido e convicto no que está dançando e, apesar de estar um pouco pesado e que suas pernas baixaram de altura, sua execução é competente e seu domínio cênico inquestionável.
As musas dinamarquesas, de excelentes físicos, tiveram um bom desempenho técnico, com destaque para Angela Malan; mas o idioma estilístico que a obra propõe ainda não é fluido no seu dizer corporal.
O segundo ato do programa foi consagrado a coreógrafos atuais. Tim Rushton criou para a companhia “Triplex”, um divertissement simpaticamente inócuo cujo único mérito é dar aos bailarinos a oportunidade de serem vistos em muito bom estado técnico.
O coreógrafo australiano Stanton Welch evidenciou uma sensibilidade fora do comum no mundo do ballet moderno com o seu duo “Wish”, uma pequena pérola coreográfica ao som de Cantaloube. O prêmio coreográfico da velada.
A estréia deste ano coube a Louise Midjord, que com sua olvidável “The little Matchstick Girl” mostrou inabilidade dramática e um gosto (pelo menos) duvidoso.
Para a sobremesa, claro, Bournonville. O terceiro ato do programa foi o terceiro ato de “Napoli” (1842) do magistral coreógrafo dinamarquês August Bournonville que foi diretor desta companhia desde 1830 até 1877, e nela imprimiu um estilo, um modo único e particular de executar o vocabulário do ballet acadêmico.
O Royal Danish Ballet dançando Bournonville é praticamente insuperável. Passa pelos corpos da companhia um grande cordão que os une e lhes dá organicidade. Falam esse idioma estilístico com uma naturalidade que renova vigência à própria obra que estão executando. Um momento de magistralidade.
Nessa oportunidade o 3º ato de “Napoli” foi feito sem cenário, e isto sim, para o Royal Danish Ballet e seu diretor artístico Peter Bo Bendixen, é imperdoável.
Valerio Cesio de Santa Cruz de la Sierra - Bolívia
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