Um dos objetivos desta coluna é compartilhar com os leitores
algumas experiências que tenho vivido ao circular por eventos
de dança e de videodança, sejam eles nacionais ou
internacionais. Desta vez, vou contar um pouco sobre as minhas passagens
pela IX Temporada Internacional de Danza Contemporánea de
Colombia (www.danzaconcierto.com) e pelo Ateliê de Coreógrafos
Brasileiros – Ano IX (www.ateliedecoreografos.com.br). Ambos
exibiram, cada um do seu modo, a produção de criadores
brasileiros: o primeiro abrindo pela primeira vez sua programação
para uma mostra de obras de videodança feitas no Brasil;
e o segundo, como sempre, dedicando exclusividade às criações
de artistas nacionais. Finalizo a coluna com informações
sobre eventos que acolhem vídeo e dança.
A Temporada Internacional de Danza Contemporánea de Colombia
realizou sua 9ª edição, entre os dias 16 e 24/9.
Reforçou sua dimensão nacional ao apresentar, simultaneamente
em três importantes cidades, uma programação
de grandes nomes. Peter Palácio, diretor do evento e de uma
das mais respeitadas companhias colombianas, Danza Concierto, estreou
uma nova peça e teve como convidada especial a Martha Graham
Dance Company. Além dessa conhecida companhia americana,
que passa pelo Brasil em novembro, havia uma série de outros
convidados, como: Compañia Prado/Estévez (Argentina);
Alta Realitat Producciones (Espanha); e a bailarina Nejila Yatkin
(Turquia). A programação contava também com
uma plataforma nacional de dança que incluía dança
contemporânea e hip hop. Além de tudo isso, o evento
ofereceu palestras e oficinas com convidados internacionais, como:
Peter London e Dawn Lillie, dos Estados Unidos; Cora Flores e Alberto
Pérez, do México; e Lucas Condró, da Argentina.
Não conheço a produção da dança
colombiana para avaliar a reverberação local do evento,
mas posso assegurar que o impacto da videodança brasileira
foi notável. A mostra comentada de vídeo Painel Brasil
foi apresentada em palestras realizadas por mim em três importantes
universidades colombianas: EAFIT, em Medellín; Universidad
Del Norte, em Barranquilha; e Pontificia Universidad Javeriana,
em Bogotá. Destaco a palestra da Universidad Del Norte, onde
houve uma participação maciça de mais de 80
espectadores, entre professores e universitários, ávidos
por conhecer mais sobre a videodança brasileira. Outras pessoas
da cidade também demonstraram interesse pela programação
brasileira. Diego de La Rosa, por exemplo, quer incluir os nossos
vídeos na próxima edição de seu Cine
a la Calle, que apresenta cinema e vídeo nas ruas de Barranquilla,
especialmente aquelas localizadas em bairros afastados e carentes
de cinema.
Apesar de não ter acolhido este ano uma programação
dedicada à videodança, a presença do Ateliê
e Coreógrafos Brasileiros nesta coluna se dá exclusivamente
pela grande importância que o evento alcançou no cenário
da dança brasileira. Como já afirmei anteriormente,
o Ateliê se tornou um dos mais importantes e inovadores projetos
nacionais de fomento à produção de dança
contemporânea brasileira.
Capitaneado pela bailarina e produtora Eliana Pedroso, o evento
apresentou sua 4a edição entre os dias 14 e 19/10,
no Teatro Castro Alves, em Salvador. Exibiu o resultado dos trabalhos
desenvolvidos por quatro coreógrafos brasileiros selecionados
a partir de projetos avaliados por um time de especialistas: Silvia
Soter (RJ); Sonia Sobral (SP); Cristina Machado (MG); Maria Paula
Costa Rego (PE); e a própria Eliana Pedroso. Após
dois meses de processo junto aos elencos de bailarinos locais, os
coreógrafos convidados apresentaram os seguintes trabalhos:
Self Service, de Marcelo Evelin (PI/Holanda); A Lupa, de Jorge Alencar
(BA); 1 Corpo em 5, de Edvan Monteiro (CE); e Banana da Terra, de
Clara Trigo (BA). O resultado desses trabalhos aponta para uma necessidade
se repensar as dimensões do evento. Sem deixar de utilizar
o Teatro Castro Alves como sede da programação, a
próxima comissão poderia avaliar, por exemplo, as
possibilidades de viabilização de projetos especialmente
dirigidos a espaços alternativos de exibição.
Finalmente, gostaria de registrar a realização de
importantes eventos. Depois da Move Berlim, em abril, os vídeos
brasileiros voltam àquela cidade alemã no dia 19/11,
dessa vez no Halle Dance Theatre, (http://www.toula.de/index.html),
atendendo ao convite do diretor do teatro, Ralf Ollertz. No mesmo
mês, o Dança Criança, primeiro festival nacional
de dança dedicado exclusivamente ao público infantil,
inclui em sua programação uma mostra especial de vídeo
chamada M.O.V.E. Criança, que tem o apoio da Cavídeo.
O evento, que conta também com apresentações
de projetos sociais e grupos profissionais, será realizado
entre os dias 24 e 27/11, no Centro Cultural da Caixa Econômica
Federal, no Rio de Janeiro. De 3 a 5 de novembro, o Frame –
Festival Internacional de Vídeo-Dança do Porto (http://www.fabricademovimentos.pt/abertura_00.htm)
apresenta uma programação variada que inclui alguns
vídeos do Painel Brasil.
Destaque para a série de lançamentos internacionais
do Circuito Videodança Mercosul, que reúne programações
do Brasil, Uruguai e Argentina. A série se inicia, em outubro,
no FIVU 05 - Festival Internacional de Videodanza del Uruguay (www.perrorabioso.com/fivu05),
segue, em novembro, no VII Festival Internacional de Videodanza
de Buenos Aires (www.rojas.uba.ar/programacion/videodanza.htm),
e termina, entre os dias 5 e 11 de dezembro, no Dança em
Foco, que será realizado no Espaço SESC Copacabana.
Esperamos vocês!
Leonel Brum (leobrum@terra.com.br)
Pesquisador e Diretor Artístico do Dança Brasil e Dança
em Foco e um dos fundadores do Circuito Vídeo-dança Mercosul.
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